Caso 2: Como construí este site
Quis transformar a própria construção do site num case. Não tem nada mais honesto, pra uma seção de "feito com IA", do que o meta-projeto: a casa se mostrando por dentro. Abaixo, as ferramentas que entraram em cena, o caminho que percorri, e o que faria diferente se começasse hoje.
Ferramentas, e para que serviu cada uma
Não dá para terceirizar tudo a uma única ferramenta. Cada peça do stack resolveu uma parte específica do problema e entender quando trocar de ferramenta foi parte do trabalho.
Abri um projeto dedicado no Claude antes de escrever uma linha de código. Foi ali que escopei objetivos, estrutura de seções e tom. Depois, ao longo da construção, voltei toda vez que precisava decidir arquitetura, escrever copy ou debugar algo que o Lovable não resolvia sozinho.
Tirou a ideia do papel em minutos. Recebeu o prompt detalhado que o Claude me ajudou a estruturar e devolveu uma primeira versão navegável. Ótimo pra iterar layout rápido, mas o detalhe fino e a manutenção contínua pediram outro lugar.
A ponte entre o que era um projeto Lovable e algo realmente meu. Exportei o código pra cá pra ter histórico, branches de experimento e, principalmente, autonomia: a partir do GitHub, o Lovable virou opcional.
Onde o código exportado virou algo realmente meu. Tipografia, espaçamentos, microinterações, logo, copy — tudo passou por aqui. Comecei tímida e terminei navegando com confiança entre arquivos.
A cola que une tudo. Git, npm, scripts de build, deploy. A parte menos sexy e mais essencial — quase nenhum projeto com IA escapa disso. Eu tinha medo do terminal antes, perdi nesse projeto.
Hospedagem, DNS, SSL e domínio num lugar só, sem custo. Pages faz deploy contínuo direto do GitHub: cada git push vira uma nova versão no ar em 1 a 3 minutos.
Da ambição ao deploy
Cinco etapas, em loop. A IA fez muito, mas o ritmo veio de saber em que momento usar qual ferramenta — e quando voltar duas casas pra trás.
Comecei no Claude, num projeto dedicado, contando minha ambição: quero um portfólio que mostre meu perfil não-linear, que abrigue um blog sobre IA aplicada a growth, e uma seção pra documentar coisas que eu mesma construí com IA. O Claude não respondeu de cara — abriu uma série de perguntas pra detalhar objetivos, audiência e escopo. Foi um trabalho de pré-produção que me poupou retrabalho enorme depois.
Daí saiu um prompt longo e detalhado, que rodei no Lovable. A primeira versão veio bonita, mas com a arquitetura incompleta — algumas rotas faltando, sistema de tradução PT/EN meio quebrado, conteúdo em lugares estranhos. Exportei pro GitHub e foi aí que a coisa virou de fato minha.
A partir daí, o loop foi sempre o mesmo: pedia ajustes ao Claude, que me devolvia orientações pra colar no terminal e ajustar no VSCode. Refinei o logo, escrevi a copy de cada seção (em chats diferentes, sempre dentro do mesmo projeto), e fui publicando os ensaios um a um. Cada novo ensaio é um git push que o Cloudflare detecta e publica.
Vibe coding bem feito não é "IA faz tudo sozinha". É dirigir a IA com clareza, gosto e julgamento. Quem aceita o primeiro output entrega site genérico. Quem itera com critério entrega coisa boa. Essa é a habilidade real.
O que faria diferente
Aprendi muito no caminho, mas aprender não era a entrega — era subproduto. Se fizesse de novo hoje, com o que sei agora, mudaria quatro coisas.
Começaria por referências, não por prompt
Buscaria sites portfólio com código aberto antes de prompar do zero. Estruturar e corrigir a arquitetura que veio do Lovable levou muitas interações — e isso não é onde eu gero mais valor. Aprendi no processo, mas teria sido mais produtivo partir de algo já estruturado e gastar tempo só na customização que importa: identidade, copy, casos.
Iria direto de Claude Code, sem medo do terminal
Tinha medo do terminal antes de começar. Perdi esse medo nesse projeto — e ele virou aliado. Numa próxima, pularia o Lovable e iria direto pro Claude Code: mais controle, mais poder, e a curva de aprendizado já é a mesma do "depois do Lovable", então faz pouco sentido passar pelo intermediário.
Subiria um CLAUDE.md desde o começo
Pra evitar dar as mesmas instruções repetidamente, o ideal é deixá-las num arquivo de contexto que o Claude lê sempre. Coisas como "evitar travessões", "evitar negativas que soam como IA", "como faço meus commits", "qual é o estado atual do código". Cada chat novo começava do zero nessas convenções, e era retrabalho puro.
Aceitaria que projeto ≠ memória completa
Mesmo no mesmo projeto, em chats diferentes o Claude não retém tudo. Esquece como você está commitando, qual é a última versão do código, que decisão você tomou três conversas atrás. Saber disso muda o jeito de começar cada chat: dar contexto explícito vira primeiro passo, não improviso.